O Árabe

Idéias, sentimentos, emoções. Oásis que nos ajudam a atravessar os trechos desérticos da vida...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO


Não vos abandoneis à nostalgia.

Cuidai, antes, de aproveitar as chances que vos traz o novo dia. Pois nada existe senão o hoje, e aquele que vive no ontem decerto não construirá o melhor amanhã.

Não enxergareis o futuro, se preso ao passado estiver o vosso olhar. Como jamais descobrireis a beleza das estrelas, se para o céu não levantardes os vossos olhos.

Doce vos parece sempre o passado. Mas é nas vossas lembranças que reside verdadeiramente o seu encanto. Como o perfume não está na flor, mas na brisa que o transporta.

Hoje, mais doces vos parecem os beijos de ontem; mais verdadeiras as juras de amor, mais intenso o prazer que vos traziam as horas de entrega e paixão que no passado deixastes.

Entretanto, todas estas emoções se podem repetir em cada dia. E certamente no futuro revivereis com saudade momentos que vazios agora vos parecem.

Porque, ao olhardes para o passado, sois como o homem que enxerga o mundo através de uma lente colorida. E os vossos dias de então vos aparecerão conforme a cor da lente.

Esta é a verdade. Vistas pela lente das lembranças, mais dolorosas vos parecem as ocasiões tristes e mais completos os vossos momentos de felicidade.

Assim como o futuro, entrevisto pelas lentes da esperança, mais radioso vos aparece; como se nele não fossem existir os vossos problemas, nem as mágoas do presente.

Abandonai a ilusão de que assim seja. Porque no passado existiram as vossas lágrimas e no futuro também haverão de existir; a felicidade habita apenas na mansão dos vossos sonhos.

E, todavia, muitas são as vezes em que a conheceis. Porque o seu rosto vos sorri no rosto da pessoa amada e as suas mãos vos acariciam nas carícias das suas mãos.

Pois outra coisa não é o amor, que o sonho distante da felicidade; a ilusão da plenitude, o encanto de se perder ao encontrar-se em outro universo, ao mergulhar em outra alma.

Buscai, portanto, o amor; em todos os vossos dias. E afastai as lembranças do passado, para que a vossa alma possa desfrutar das alegrias do presente, sem o travo da saudade.

Porque é assim que fareis melhor o vosso futuro.   

sexta-feira, 18 de maio de 2012

MOMENTOS


Momentos existirão em que o cansaço travará os vossos passos.

E outro desejo não abrigareis, que o de vos deixardes cair sobre o chão; para que o vosso corpo repouse e o vosso espírito mais uma vez viaje nas asas do vento.   

Necessitareis seguir em frente, entretanto. Ainda que se recusem os vossos pés; ainda que chore a vossa alma e cada fibra do vosso ser grite o seu infinito cansaço.

E, se assim é, melhor será que derrameis todo o vosso pranto; para que do coração, encharcado pela chuva salgada de lágrimas, possam brotar novos e doces sorrisos.

Melhor será que abandoneis as vossas mágoas, vençais a vossa desesperança e procureis em vosso verdadeiro Eu as forças que em frente vos levarão.

Porque o caminho é mais difícil para aquele que arrasta a carga mais pesada; para ele as montanhas serão mais escarpadas, os abismos mais profundos, os rios mais caudalosos.

E não é sábio o homem que se revolta contra o caminho que escolheu, nem contra as montanhas, os rios e os abismos que o atravessam; mas aquele que aprende a transpô-los.     

Pois a jornada não se encerra antes que seja percorrido o derradeiro metro; como a música não termina antes que se faça ouvir a última nota e o ódio não falece senão ante o perdão.

Devereis percorrer até o fim a vossa estrada. E é preciso que assim seja, porque são os percalços da jornada que vos ensinam a maneira correta de traçar o vosso caminho.  

A fruta não cai da árvore, antes que completo esteja o seu amadurecimento. Como as estrelas não se apagam no céu, sem que o sol o venha iluminar.

Sobre o mundo, vos colocou o Universo. E apenas a Ele é dado decidir o momento em que novamente o deixareis, para o merecido descanso antes da nova caminhada.


Não vos pertence o tempo. Como não pertence ao peixe o mar em que nada, nem à ave o céu onde voa. Como a lembrança não pertence à saudade, nem o beijo à boca onde nasceu.  


Momentos existirão em que o cansaço travará os vossos passos.


Neles, apenas o verdadeiro Eu vos sustentará. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O AMOR MAIOR




Hoje, quero falar-vos sobre o amor.

Não o amor das vossas baladas e canções românticas, entre os apaixonados, que se inicia em um sorriso e em lágrimas termina, para que outro possa nascer.


Não o amor que exige retorno, para que possa sobreviver ao vosso próprio egoísmo; não o amor que com o véu dos sonhos encobre os defeitos do outro, enquanto dura a paixão.

Não o amor que em vós semeia ilusões, para que possais colher desenganos; que entrelaça as vossas mãos, até que separadas se acenem um triste adeus.

Não o amor que faz viver horas de doce loucura, na cavalgada dos desejos; que mistura os vossos corpos e as vossas ânsias, entre gemidos de prazer, luxúria e encantamento.

Deixai que eu vos fale, hoje, do amor que nada pede, senão a vossa existência; que nada deseja, senão a vossa alegria. A quem nada assusta, senão o vosso sofrimento.

O amor que começou antes mesmo da vossa chegada a este mundo, na vontade de que vos fizésseis presentes; que povoou de sonhos as noites insones da espera ansiosa.

O amor que primeiro vos tomou nos braços; que acalentou o vosso corpo e, assim fazendo, deu as boas-vindas à vossa alma e trouxe paz ao vosso assustado coração.

O amor que ofereceu à vossa boca faminta o seio generoso, capaz de alimentar-vos o corpo e a alma; que na dor de ser sugado encontrou o prazer de doar a si mesmo.

O amor que vos susteve ao colo, até que vos tornásseis capazes de andar por vós mesmos; que vos ensinou os primeiros passos, que vos amparou em cada queda.

Este é o amor sem limites. O amor que não chora as suas próprias dores, ocupado que está em minorar as vossas dores; que não está feliz, senão quando sois felizes.

Este é o amor que não exige. O amor que vos ensina e orienta, mas perdoa as vossas faltas; que reconhece os vossos defeitos, mas exalta apenas as vossas qualidades.

Este é o amor que jamais termina. O amor que vence a morte, porque onde estiverdes vos acompanhará para sempre; o amor que transforma a ausência na mais doce saudade.

Este é o amor maior. E apenas em vossas mães o encontrareis.  

FELIZ DIA DAS MÃES! 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A BALADA DA CONFIANÇA




Triste daquele que não confia em si mesmo.


Pois viverá em constante inquietude, temendo cada sombra que atravesse o seu caminho e cada esquina que necessite dobrar. O medo e a insegurança o acompanharão em cada dia.

E não conhecerá a paz. Porque é no vosso interior que ela reside, e apenas a descobrirá o homem que estiver em sintonia com o Universo e souber conviver com o seu verdadeiro Eu.

A sua felicidade jamais será completa, porque maculada pelo temor de que um dia lhe seja tirada. E não desfrutará da plenitude da entrega, tomado pelo medo de que venha o abandono.

Ele não se alegra pelo raio de sol que lhe acaricia o rosto; teme a chuva que amanhã poderá sobrevir. E esmiúça o céu azul, à procura de uma nuvem que confirme os seus temores.    

Pequenas lhe parecerão sempre as próprias realizações. Acanhados julgará os versos que escreveu, mirradas as flores do jardim que plantou, irrealizáveis os seu sonhos.

E, por assim ser, dificulta a sua caminhada. Porque é impossível construir a ponte, para aquele que julga intransponível o abismo; ou seguir em frente, para quem exausto se imagina.   

Está escrito que o bom julgador por si julga os outros. E, como o ladrão que vigia os seus parceiros de crime, o homem que duvida de si em ninguém conseguirá confiar.

Por isto, a solidão será sua companheira constante. E, embora julgue buscar sempre o amor, mais difícil lhe será encontrá-lo, porque envolto no denso véu do temor à traição.    

Nem a entrega mais sincera, nem toda a ternura do mundo, nem o inconfundível brilho de um olhar apaixonado, serão capazes de lhe trazer a segurança que tanto procura.

Esta, apenas pode o homem encontrar em si próprio. No conhecimento das suas virtudes e dos seus defeitos; na certeza de que ninguém é perfeito, mas cada um tem o seu próprio encanto.

Eu vos tenho dito que em cada um de vós existe a centelha do Universo. E ela vos torna capazes de superar os vossos limites, de realizar tudo aquilo que acreditardes possível. 

Porém o vento necessita soprar, para que faça sentir a sua força; e é preciso que a semente seja plantada, para que o solo fértil possa transformá-la na árvore majestosa.

Não vos preocupeis, portanto, em buscar a aprovação alheia; mas em fazer sempre o melhor que vos for possível, para que possais estar em paz com a vossa consciência.

Acreditai em vós. Maiores serão as vossas realizações, mais intensos os vossos amores, mais completas as vossas alegrias, mais firmes os vossos passos, mais fácil a vossa caminhada.

E encontrareis o vosso verdadeiro Eu.             

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O LIVRO DAS VOSSAS VIDAS


Em todos os dias, escreveis a história de vossas vidas.

E, por certo, não poderão todas as páginas falar de amor e alegrias; algumas haverá em que descrevereis momentos de saudade e incerteza, de tristeza e solidão.

Assim como na Natureza o sol não pode brilhar em todas as horas, nem a brisa acariciar sempre os vossos rostos; tempestades desabarão, e o vento forte haverá de soprar.

Não encontrareis, ao longo do vosso caminho, apenas jardins encantados e pomares frutíferos. Pedras vos impedirão a passagem e o deserto vos fará arder os olhos.

Contudo, sempre existirão os jardins e os pomares. E é na beleza das flores e no néctar das frutas, que encontrareis a força para ultrapassar as pedras e atravessar os desertos.

Cabe-vos, entretanto, economizar as vossas forças. E armazenar, nas horas de bonança, as provisões de que necessitareis para vencer as privações que vos encontrarão.

Valorizai os vossos momentos felizes. Guardai, em vossa memória e em vosso coração, os amores mais caros, os sorrisos mais doces, as vossas maiores realizações.

Pois estas são as lembranças que vos sustentarão, quando o espectro do desânimo buscar tolher-vos os passos e instalar em vossa alma as sombras da desesperança.

O eco dos vossos risos afastará os soluços do vosso pranto, o brilho da vossa alegria vencerá a escuridão da tristeza, a recordação da ternura trará de volta a esperança.    

Sede como o viajante sensato, que do sol inclemente se abriga sob a sombra protetora e na água cristalina mitiga a sede que o devora; é assim que vencereis as agruras da jornada.

Cuidai para que em cada página da vossa vida exista, ao menos, a beleza de uma flor. São as flores que plantais ao longo do caminho, que enfeitarão o vosso amanhã.

Não desperdiceis, portanto, as oportunidades que vos traga a vida. Não economizeis uma palavra de amor, um gesto de carinho, o acalanto de um abraço.

Para que vos possais refugiar nas boas lembranças, quando vos buscar a amargura. Porque é assim que trareis de volta a esperança e seguireis com alegria o vosso caminho. 

Escrevendo o livro das vossas vidas.  

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A SEMEADURA E A COLHEITA



Receais o futuro.

E, entretanto, nele colocais as vossas maiores esperanças. Como se a realização dos vossos sonhos residisse na mansão do amanhã e não no trabalho de hoje.

Assim fazendo assemelhai-vos à criança indecisa que, embora anseie pelo fim da viagem, pousa sobre o chão a sua mala e nela se assenta, incerta sobre o caminho a seguir.

É justo que assim seja, porque ao homem não é dado caminhar todo o tempo e ninguém existe que jamais tenha abrigado a dúvida em seu coração, ao escolher um novo caminho.

Recordai, entretanto, que o tempo não detém a sua marcha. E para aqueles que se assentam à beira da estrada pode o futuro reservar tristes surpresas, ao invés de coloridos sonhos.

Pois está escrito que cada um deverá colher aquilo que semeia; e ao homem cujo terreno está coberto de urtigas não compete o direito de posse ao trigo do vizinho.

Porque esta é a lei do Universo. A todos vós são entregues as sementes e é franqueado o terreno, que devereis irrigar com o suor do vosso rosto e as lágrimas da vossa alma.

É com as vossas próprias mãos, que a cada dia plantais o vosso futuro. E isto acontece para que cada um possa escolher o que planta, pois à colheita não se poderá furtar.

Afastai, portanto, os vossos temores. Porque o medo é o grilhão da alma, que vos tolhe a alegria de viver. E é como a areia movediça, sobre a qual nada se pode edificar.

Acreditai, sim, no futuro. Sabei, todavia, que de vós mesmos depende alcançar o oásis onde podereis estender a vossa rede, ou encontrar o deserto inclemente cuja areia vos poderá sufocar.

É vossa a semeadura; e por isto não vos deve amedrontar a colheita. Não necessitais temer o futuro, pois no presente o construís; cuidai, sim, de bem administrar as vossa escolhas.

Aquele que vive sabiamente o hoje, não teme o amanhã; como o agricultor que cuida da própria seara não receia o suplício da fome e tranquilamente aguarda a época da safra.

Para o homem previdente, o futuro é a alegre promessa de uma farta colheita. Para o incauto, entretanto, é como o manto da noite, que pode abrigar o pesadelo ou o sonho.

Cuidai, portanto, do vosso presente.

É nele que construís o vosso futuro.
Texto inspirado pela bela foto do 1000 Imagens.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A ETERNIDADE E O EFÊMERO


A mortalidade é a maior das vossas angústias.

E, entretanto, deveria ser o vosso guia. Porque o homem que sabe limitados os seus recursos necessita gastá-los mais sabiamente do que aquele que os julga ter ilimitados.

Lembrai-vos, sempre, de que ninguém conhece o tempo que lhe cabe sobre a terra. E, por isto, cada um dos vossos momentos é uma nova dádiva que vos concede o Universo.

Aproveitai-o com sabedoria, portanto. Não o gasteis com o orgulho, a ira e o sofrimento. Usai-o, sim, para buscar a felicidade e o aprendizado; o conhecimento do vosso verdadeiro Eu.

Porque o pássaro não lamenta o alimento que lhe caiu do bico; recomeça a procura de um novo bocado, para alimentar os confiantes filhotes que no ninho o aguardam.

E a planta não se queixa da aridez do deserto; busca, antes, reter em si a umidade que a possa sustentar, até que chegue mais uma vez a chuva rara e benfazeja.

A mulher que no seu ventre abriga o filho querido, não se angustia com os perigos que a ele possa trazer o futuro; vive intensamente a alegria de gerar um novo ser.

O tempo não é o senhor das vossas vidas. Todos os dias têm o mesmo número de horas, mas basta um momento especial para tornar um dia especial.

Cada minuto tem sessenta segundos. E, entretanto, o tempo que parece voar nas vossas alegrias é o mesmo que como uma lesma se arrasta, quando vos visita a tristeza.

É o tempo que mede a vossa jornada sobre a terra. Porém, é certo que o maior número de alegrias não pertence ao mais idoso e sim a quem mais intensamente viveu.

E o caminho não é mais agradável ao homem que por mais tempo o percorre; mas àquele que sabe desfrutar dos seus encantos e fugir aos seus perigos.

Não deveis temer a morte; ou escravizar-vos ao tempo. Cuidai, antes, de aproveitar o vosso tempo. Porque cada instante perdido é uma gota de vida que se vai.

Vivei a vida, em toda a sua plenitude.

Porque é assim que vencereis a ilusão da morte.

Texto inspirado pela fantástica foto do site 1000 Imagens.